terça-feira, 5 de setembro de 2017

À LUZ DA COMUNICAÇÃO

                Seguir a diante, caminhando em linha reta, subindo e descendo ladeiras sem olhar para trás, é uma característica da evolução humana, enquanto membro de uma grande comunidade chamada Terra. Como habitante deste planeta, o único ser considerado racional busca sua sobrevivência num convívio conflitante, pisando nos próprios pés, caindo e levantando.
                Natural foi a evolução da humanidade através da comunicação. Na imensidão do globo terrestre diferentes tribos sempre trocaram suas correspondências, falando línguas diversas.
                A comunicação escrita, ampliada e alimentada pelo senhor Gutemberg, deu início a uma  nova era, da imprensa. Sua importância para o convívio social passou a ser inevitável, valorizando a comusnicação de massa. 
                 Felizmente, é necessário seguir em frente olhando para trás, reconhecendo que o que a sociedade conquista hoje deve a conquistas anteriores, como base do processo evolutivo da humanidade que, no entanto, não perde o caráter do conflito. Conflitos geradores da progressividade. 
               Com a velocidade da luz e do som, o evoluir da grande comunidade Terra ganhou expansão, porém, ainda muito regionalizada. O mundo permaneceu bem dividido e definido, entre desenvolvidos e subdesenvolvidos. Surgiu então a eletrônica e a cibernética, culminando com a informatização alavancada pela genialidade do senhor JOBS, iluminando com sua racionalidade especial a comunicação internáutica... 
                 Navegar passou a ser mais preciso. 
        Não há mais obstáculos para os cidadãos do mundo se conhecerem, mesmo que superficialmente, correndo o risco dos encantos e desencantos da identificação. Não se depende mais, exclusivamente, dos meios de transportes para uma visita a lugares "nunca dantes navegados". Basta sentar a frente de um computador, ligá-lo, acessar a Internet e viajar com precisão. 
                Diante deste grande poder da comunicação, como ousam os ditadores sobreviverem ? 
         Um cidadão de uma região oprimida pelo autoritarismo político, dominador através da violência, ao navegar no oceano da Internet adquire informações de liberdade democrática mais do que suficiente para propagar entre seus concidadãos e enfrentar novos conflitos na busca do que é melhor para o Ser Humano: conviver harmoniosamente, em nome da Paz...
                 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A RUA DO MEDO

             Naquela cidade do século XXI, todos os habitantes desfrutavam de uma vida completamente voltada para o lazer. Em todos os bairros, o que alimentava a noite eram os bares e restaurantes que tinham hora para abrir mas não tinham para fechar. A vontade do freguês em primeiro lugar. 
              Naquela cidade do século XXI, as ruas pegavam fogo em cada esquina. O acúmulo de lixos era tamanho que a coleta tornou-se insustentável, priorizando as queimadas. As labaredas atingiam os fios deixando a cidade na escuridão, na maioria das ruas e avenidas. Tubulações de gás explodiam, tirando o sono de qualquer prefeito, bem como a imprensa e toda população de plantão. 
           Naquela cidade do século XXI, a energia não faltava nas baladas e shows graças aos geradores de serviço, sempre aptos para entrarem em funcionamento no bairro da gastronomia. Toda adrenalina mantinha a vida noturna. Os celulares não eram prejudicados, mantendo a comunicação à distância. O trabalho da polícia passou a ser tão necessário quanto comer feijão com arroz, diariamente, ou melhor, dioturnamente. Como se divertir, bebendo, bebendo, bebendo e dançando, sem praticar violência ???      
      Naquela cidade do século XXI, o relacionamento via internet passou de profissional para, prioritariamente pessoal, produzindo afeições e decepções entre encontros e desencontros, amores e desamores. A lucidez tornou-se rara nos atos do cotidiano estressante, do trabalho produtivo em prol do crescimento econômico acelerado na era da globalização. O entretenimento noturno, nos bares com banheiros masculino e feminino lotados, representava a grande catarse, que só os estádios de futebol não satisfaziam mais. 
            Naquela cidade do século XXI, havia uma rua misteriosa onde ninguém frequentava e que a prefeitura decidiu lacrar, instalando um portão na entrada com cadeado. Os moradores foram embora da cidade por se sentirem isolados e até ameaçados, na condição de desajustados sociais. A população tratava aquela rua como assombrada porque era a única diferente da cidade. À noite, a Rua do Medo era totalmente iluminada, não havia fogueiras de lixo, mesmo antes quando os moradores lá viviam. 
              Na Rua do Medo, a Prefeitura nunca encontrou problemas como no restante da cidade para resolver com dificuldades. Apenas cobrava os impostos, pagos em dia. 
              Um certo dia, o mistério acabou. Um menino muito curioso, achou um jeito de atravessar o grande portão, desafiando os colegas. Ao chegar do outro lado, descobriu o que mantinha aquela rua diferente de todas as outras da cidade... Parou em frente a um casarão antigo, que parecia assombrado, e resolveu criar coragem e entrar... Ficou assustado a princípio. Não havia ninguém. Diante dele surgiram dezenas de estantes cheias de livros. Era uma biblioteca abandonada... O menino chamou os coleguinhas e passaram o dia inteiro naquele casarão assombrado. E voltaram, e voltaram e voltaram sempre à Rua do Medo, depois de descobrirem que o que assustava a todos eram os vultos que ali desfilavam com suas obras literárias, eternizadas pelas leituras que deixaram de ser incentivadas... 

              

terça-feira, 25 de julho de 2017

FLIP

            Durante a Feira Literária de Paraty - FLIP - de 26 a 30 de julho, os títulos "Jorginho, o menino de ouro" - "A Formiga Solitária" e "O Último em canto" poderão ser encontrados na Livraria Paraty, sob a direção de Dona Norma. 

LIVRO ELETRÔNICO DA UFSC

          Em sua 3ª edição, o livro Eletrônico Literatura Infantil e Juvenil da Universidade Federal de Santa Catarina, sob a Coordenação da Profª Eliane Debus, 2016, reune os meus quatro títulos. Agora podem ser consultados eletronicamente, "Jorginho, o menino de ouro" - "A Formiga Solitária" - "O Último em canto" e "Mãe Gralha em busca da sobrevivência", através do site: 
         http://literaturainfantiljuvenilsc.ufsc.br/.  

terça-feira, 4 de julho de 2017

ESPERANÇA

           Falar das flores, do amor que elas representam no brilho reluzente na natureza através de suas cores. Falar do prazer de viver, de conviver, de nascer e de crescer. Tudo isso é grandioso. Falar da Esperança como perspectiva de vida, como projeção do amanhã, é uma forte razão para existir. Todavia, quando a Esperança é ludibriada, é invocada e simultaneamente ignorada, um ar de tristeza invade a natureza humana.
            Como é possível brincar com uma palavra tão expressiva para a realidade humana ? Encher os sentimentos de Esperança, comprometendo os mínimos valores da sobrevivência com discursos prometedores, resumidos em simples retórica evasiva, é desesperador para um povo que consegue sorrir, sem dentes.
           Ao ser invocada, a Esperança nos remete ao provérbio popular de que "quem espera sempre alcança". Sendo assim, vale a pena esperar, quando a Esperança é revelada no sentido da realização. Portanto, esperar, esperar e esperar, até que se possa alcançar o fim almejado. 
       Quando alguém assume a Esperança com promessa de realizar, está criando expectativas geradoras de confiança, colocando em suas mãos o destino dos esperançosos. Frustrar essa crença esperançosa é como promover uma epidemia de decepções patológicas. 
             A Esperança não merece fazer parte de um mero jogo de palavras que soam e ecoam, levadas ao vento, sem rumo certo. Quem ouve, na carência de soluções, acaba acreditando que esperar é a solução. Enquanto se espera se desespera, num emaranhado de problemas sociais que se avoluma claramente. 
              Fazer da Esperança um elo de ligação entre o possível e o impossível é correr o risco de ameaçar sua sobrevivência. E, afinal de contas, não se pode matar a Esperança porque está na boca do povo que ela "é a última que morre". Em assim sendo, parece que só resta esperar a data do sepultamento. Talvez o pior criminoso seja o responsável pela morte da Esperança. 
               A Esperança mal... dita, cai no campo da desconfiança, refletindo um estado de coisa não realizada. É melhor voltarmos a falar das flores do que sequer pensarmos na morte da Esperança.
            

terça-feira, 27 de junho de 2017

PROFISSÃO: HUMANISTA

           Essa tal globalização que estamos vivenciando ao início de mais um século, que também caracteriza-se como uma revolução tecnológica, responde pelas dificuldades sociais, atualmente refletidas na vida de cada cidadão, transformado em marginal pelo desemprego. 
                As transformações do mundo fazem parte da História, exigindo a cada período readaptação do cidadão profissional. No entanto, tais mudanças precisam ser acompanhadas pelo Estado, de modo a não permitir o total desamparo de seu povo. 
               A globalização faz parte de uma nova ordem mundial, que segue os padrões antigos da dicotomia, dominantes e dominados. Antes dela, tinha-se uma visão mais complexa de quem mandava no mundo, com a disputa acirrada entre duas potências (Estados Unidos e União Soviética). Todos eram divididos em países ricos e países pobres, com suas peculiaridades. 
                A nova ordem trouxe a clara e definida bipolaridade, ricos e pobres. O mundo agora parece definido entre dominados e dominadores. Os países ricos decidiram aumentar suas riquezas, criando o corporativismo e fortalecendo-se com a união dos esforços em prol de uma economia mais poderosa. O mesmo vem fazendo os países pobres, na tentativa de se libertarem da dominação dos ricos. 
             Nesse clima de busca da libertação do domínio econômico, os países sem estrutura financeira caem no ciclo vicioso do domínio indireto. Os países ricos, que autoclassificaram-se como os donos da Terra, resolveram impor suas condições aos pobres e assim fatiarem os seus domínios pelo globo a afora.
              Alguns países pobres, aqueles que estão tentando emergir, deixam seus povos agonizantes de fome, enquanto fabricam bombas nucleares para defesa contra possíveis invasões de vizinhos, tão dominados quanto eles. Exemplos atuais, a Índia e o Paquistão. Um povo místico, como a  da Índia, superpopuloso, império da miséria e da exploração inglesa, agora tentando mostrar ao mundo que detém a poderosa bomba. 
             Afinal, quem habita este planeta ? É apenas o humano, racional, inconformado com o espaço que ocupa, manifestando eterno descontentamento ?...  
              A evolução da humanidade não atingiu progresso, porque não se pode associar o humanismo ao desenvolvimento tecnológico. A tecnologia evoluiu originando uma moderna civilização. No entanto, as relações humanas não diferem dos primórdios dos tempos. Houve sim, aprimoramento do comportamento selvagem, através do uso das armas bélicas que a evolução tecnológica trouxe. 
              As relações de Caim e Abel ganharam novos rumos, novas vestimentas, novas paisagens ambientais. O dinamismo da vida moderna passou a exigir esforços sobre-humanos, beligerantes, consumindo o homem, criador da máquina que o devora. A criação dominando o criador. O que também não é um fenômeno novo. 
                Enquanto o humano luta contra a máquina, sua criação, enormes espaços na superfície terrestre ainda vivem ocupados pela ignorância,pela falta de produção agrícola, com toda exuberância que apresenta seu solo rico.                                                                                                                                    Não há superpovoamento terrestre. O que falta é ocupação dos espaços de forma humanitária. Cada território conquistado precisa ser ocupado sem o cunho da invasão, pois o humano que ocupou o espaço, naturalmente, deve ser preservado em suas condições humanas de vida. 
             Vivenciamos uma 3ª Revolução Tecnológica. Falta-nos presenciar a 1ª Revolução Humanista.               O mundo clama pela formação de profissionais humanistas.   

sábado, 27 de maio de 2017

RESTOS HUMANOS: OVBI

                Na idade média as condições de higiene eram as piores possíveis, evidenciando quase a inexistência, nas cidades europeias que representam o velho mundo. O lixo encarregava-se de propagar as doenças por todos os povoados. Viver na imundície era uma característica peculiar dos velhos tempos. Os seres humanos confundiam-se com seus restos. Não conheciam até então o sistema de esgotos que evitaria o pantanal de fezes que os envolvia. Mas a evolução chegou para os europeus, dado aos seus avançados anos de história neste planeta, sacrificado pelos próprios habitantes. Todavia, a imensidão da Terra separa os continentes e faz do mundo uma heterogeneidade extremista. As comunidades, distantes entre si, configuram a evolução e a primitividade civilizatória. 
                     A primitividade civilizatória é diferente do simples primitivo. Este é apenas um produto da natureza. Aquele é uma mistura de primitivo com civilizado. Seria mais um civilizado primitivo, cuja evolução foi interrompida pela falta de recursos humanos. Quando tentamos evoluir, traçamos projetos, gastamos tempo e dinheiro em projeções, recorremos aos deuses e nada executamos. Permanecemos civilizados primitivos. 
                    A higiene pública está cada vez mais dependente da limpeza pública. Muitas cidades hoje assemelham-se aos povoados da idade média, sem redes de esgotos e sem coleta de lixo condizentes com a estrutura populacional que apresenta. O lixo continua sendo um problema universal. Apodrecemos lentamente e ainda não sabemos o que fazer com nossos restos. A classificação do lixo ramifica-se e sub-ramifica-se. Há lixo de toda espécie, doméstico, industrial e comercial, que vão proliferando-se. E, atualmente, já convivemos com lixo espacial. 
                       Apesar de faltar muito para o ser humano habitar o espaço sideral, a astronomia está revelando o futuro do universo, noticiosamente, com a ocupação dos terráquios, como se a conquista já fosse feita. Agora não são apenas meteoritos que vislumbramos no espaço, também já aguardamos preocupados os pedaços de OVBI - Objetos Voadores Bem Identificados, que podem cair sobre nossas cabeças a qualquer momento (sem pânico, por favor). Não deixa de ser mais uma modalidade de lixo na competitiva higiene pública. O lixo da tecnologia espacial, que gerou a necessidade de uma vigilância permanente sobre os satélites que orbitam nosso planeta. 
                        O meio ambiente que caracteriza-se como um caso mal resolvido em terra, reflete maiores cuidados na estratosfera, onde novos restos humanos são lançados em nome da inquietude evolutiva da capacidade terráquia. Os marcianos que se cuidem!!!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A ROSEIRA DA VIDA

        Uma árvore grandiosa, no meio da mata, destacava-se entre todas como se fosse a única. Não era uma questão de tamanho mas sim o que o seu brilho reluzia. O realce da roseira era visto em suas flores.
        Aquela roseira tinha uma peculiaridade que era o grande atrativo. A hipnose que existia estava na diversidade de suas rosas. Quando era florida, as cores variavam. Via-se flores vermelhas, brancas, amarelas, azuis e até verde-esperança. Como pode numa só árvore, principalmente roseira, tantas rosas variar? 
         Olhar a roseira da vida era um deslumbrar espetacular, diante de uma fantástica imagem de alegria colorida, que os dias de sol proporcionavam.
          No entanto, aquela roseira, na sua peculiaridade, apresentava o lado oposto da beleza de suas flores: gigantescos espinhos capazes de dilacerar e atravessar qualquer carne animal. 
           Para colher uma de suas rosas e desfrutar da alegria de suas cores é necessário ultrapassar os enormes espinhos, guardiões da beleza e do perfume que desinfeta toda a mata.