terça-feira, 4 de julho de 2017

ESPERANÇA

           Falar das flores, do amor que elas representam no brilho reluzente na natureza através de suas cores. Falar do prazer de viver, de conviver, de nascer e de crescer. Tudo isso é grandioso. Falar da Esperança como perspectiva de vida, como projeção do amanhã, é uma forte razão para existir. Todavia, quando a Esperança é ludibriada, é invocada e simultaneamente ignorada, um ar de tristeza invade a natureza humana.
            Como é possível brincar com uma palavra tão expressiva para a realidade humana ? Encher os sentimentos de Esperança, comprometendo os mínimos valores da sobrevivência com discursos prometedores, resumidos em simples retórica evasiva, é desesperador para um povo que consegue sorrir, sem dentes.
           Ao ser invocada, a Esperança nos remete ao provérbio popular de que "quem espera sempre alcança". Sendo assim, vale a pena esperar, quando a Esperança é revelada no sentido da realização. Portanto, esperar, esperar e esperar, até que se possa alcançar o fim almejado. 
       Quando alguém assume a Esperança com promessa de realizar, está criando expectativas geradoras de confiança, colocando em suas mãos o destino dos esperançosos. Frustrar essa crença esperançosa é como promover uma epidemia de decepções patológicas. 
             A Esperança não merece fazer parte de um mero jogo de palavras que soam e ecoam, levadas ao vento, sem rumo certo. Quem ouve, na carência de soluções, acaba acreditando que esperar é a solução. Enquanto se espera se desespera, num emaranhado de problemas sociais que se avoluma claramente. 
              Fazer da Esperança um elo de ligação entre o possível e o impossível é correr o risco de ameaçar sua sobrevivência. E, afinal de contas, não se pode matar a Esperança porque está na boca do povo que ela "é a última que morre". Em assim sendo, parece que só resta esperar a data do sepultamento. Talvez o pior criminoso seja o responsável pela morte da Esperança. 
               A Esperança mal... dita, cai no campo da desconfiança, refletindo um estado de coisa não realizada. É melhor voltarmos a falar das flores do que sequer pensarmos na morte da Esperança.
            

terça-feira, 27 de junho de 2017

PROFISSÃO: HUMANISTA

           Essa tal globalização que estamos vivenciando ao início de mais um século, que também caracteriza-se como uma revolução tecnológica, responde pelas dificuldades sociais, atualmente refletidas na vida de cada cidadão, transformado em marginal pelo desemprego. 
                As transformações do mundo fazem parte da História, exigindo a cada período readaptação do cidadão profissional. No entanto, tais mudanças precisam ser acompanhadas pelo Estado, de modo a não permitir o total desamparo de seu povo. 
               A globalização faz parte de uma nova ordem mundial, que segue os padrões antigos da dicotomia, dominantes e dominados. Antes dela, tinha-se uma visão mais complexa de quem mandava no mundo, com a disputa acirrada entre duas potências (Estados Unidos e União Soviética). Todos eram divididos em países ricos e países pobres, com suas peculiaridades. 
                A nova ordem trouxe a clara e definida bipolaridade, ricos e pobres. O mundo agora parece definido entre dominados e dominadores. Os países ricos decidiram aumentar suas riquezas, criando o corporativismo e fortalecendo-se com a união dos esforços em prol de uma economia mais poderosa. O mesmo vem fazendo os países pobres, na tentativa de se libertarem da dominação dos ricos. 
             Nesse clima de busca da libertação do domínio econômico, os países sem estrutura financeira caem no ciclo vicioso do domínio indireto. Os países ricos, que autoclassificaram-se como os donos da Terra, resolveram impor suas condições aos pobres e assim fatiarem os seus domínios pelo globo a afora.
              Alguns países pobres, aqueles que estão tentando emergir, deixam seus povos agonizantes de fome, enquanto fabricam bombas nucleares para defesa contra possíveis invasões de vizinhos, tão dominados quanto eles. Exemplos atuais, a Índia e o Paquistão. Um povo místico, como a  da Índia, superpopuloso, império da miséria e da exploração inglesa, agora tentando mostrar ao mundo que detém a poderosa bomba. 
             Afinal, quem habita este planeta ? É apenas o humano, racional, inconformado com o espaço que ocupa, manifestando eterno descontentamento ?...  
              A evolução da humanidade não atingiu progresso, porque não se pode associar o humanismo ao desenvolvimento tecnológico. A tecnologia evoluiu originando uma moderna civilização. No entanto, as relações humanas não diferem dos primórdios dos tempos. Houve sim, aprimoramento do comportamento selvagem, através do uso das armas bélicas que a evolução tecnológica trouxe. 
              As relações de Caim e Abel ganharam novos rumos, novas vestimentas, novas paisagens ambientais. O dinamismo da vida moderna passou a exigir esforços sobre-humanos, beligerantes, consumindo o homem, criador da máquina que o devora. A criação dominando o criador. O que também não é um fenômeno novo. 
                Enquanto o humano luta contra a máquina, sua criação, enormes espaços na superfície terrestre ainda vivem ocupados pela ignorância,pela falta de produção agrícola, com toda exuberância que apresenta seu solo rico.                                                                                                                                    Não há superpovoamento terrestre. O que falta é ocupação dos espaços de forma humanitária. Cada território conquistado precisa ser ocupado sem o cunho da invasão, pois o humano que ocupou o espaço, naturalmente, deve ser preservado em suas condições humanas de vida. 
             Vivenciamos uma 3ª Revolução Tecnológica. Falta-nos presenciar a 1ª Revolução Humanista.               O mundo clama pela formação de profissionais humanistas.   

sábado, 27 de maio de 2017

RESTOS HUMANOS: OVBI

                Na idade média as condições de higiene eram as piores possíveis, evidenciando quase a inexistência, nas cidades europeias que representam o velho mundo. O lixo encarregava-se de propagar as doenças por todos os povoados. Viver na imundície era uma característica peculiar dos velhos tempos. Os seres humanos confundiam-se com seus restos. Não conheciam até então o sistema de esgotos que evitaria o pantanal de fezes que os envolvia. Mas a evolução chegou para os europeus, dado aos seus avançados anos de história neste planeta, sacrificado pelos próprios habitantes. Todavia, a imensidão da Terra separa os continentes e faz do mundo uma heterogeneidade extremista. As comunidades, distantes entre si, configuram a evolução e a primitividade civilizatória. 
                     A primitividade civilizatória é diferente do simples primitivo. Este é apenas um produto da natureza. Aquele é uma mistura de primitivo com civilizado. Seria mais um civilizado primitivo, cuja evolução foi interrompida pela falta de recursos humanos. Quando tentamos evoluir, traçamos projetos, gastamos tempo e dinheiro em projeções, recorremos aos deuses e nada executamos. Permanecemos civilizados primitivos. 
                    A higiene pública está cada vez mais dependente da limpeza pública. Muitas cidades hoje assemelham-se aos povoados da idade média, sem redes de esgotos e sem coleta de lixo condizentes com a estrutura populacional que apresenta. O lixo continua sendo um problema universal. Apodrecemos lentamente e ainda não sabemos o que fazer com nossos restos. A classificação do lixo ramifica-se e sub-ramifica-se. Há lixo de toda espécie, doméstico, industrial e comercial, que vão proliferando-se. E, atualmente, já convivemos com lixo espacial. 
                       Apesar de faltar muito para o ser humano habitar o espaço sideral, a astronomia está revelando o futuro do universo, noticiosamente, com a ocupação dos terráquios, como se a conquista já fosse feita. Agora não são apenas meteoritos que vislumbramos no espaço, também já aguardamos preocupados os pedaços de OVBI - Objetos Voadores Bem Identificados, que podem cair sobre nossas cabeças a qualquer momento (sem pânico, por favor). Não deixa de ser mais uma modalidade de lixo na competitiva higiene pública. O lixo da tecnologia espacial, que gerou a necessidade de uma vigilância permanente sobre os satélites que orbitam nosso planeta. 
                        O meio ambiente que caracteriza-se como um caso mal resolvido em terra, reflete maiores cuidados na estratosfera, onde novos restos humanos são lançados em nome da inquietude evolutiva da capacidade terráquia. Os marcianos que se cuidem!!!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

A ROSEIRA DA VIDA

        Uma árvore grandiosa, no meio da mata, destacava-se entre todas como se fosse a única. Não era uma questão de tamanho mas sim o que o seu brilho reluzia. O realce da roseira era visto em suas flores.
        Aquela roseira tinha uma peculiaridade que era o grande atrativo. A hipnose que existia estava na diversidade de suas rosas. Quando era florida, as cores variavam. Via-se flores vermelhas, brancas, amarelas, azuis e até verde-esperança. Como pode numa só árvore, principalmente roseira, tantas rosas variar? 
         Olhar a roseira da vida era um deslumbrar espetacular, diante de uma fantástica imagem de alegria colorida, que os dias de sol proporcionavam.
          No entanto, aquela roseira, na sua peculiaridade, apresentava o lado oposto da beleza de suas flores: gigantescos espinhos capazes de dilacerar e atravessar qualquer carne animal. 
           Para colher uma de suas rosas e desfrutar da alegria de suas cores é necessário ultrapassar os enormes espinhos, guardiões da beleza e do perfume que desinfeta toda a mata.
 

segunda-feira, 10 de abril de 2017

RIQUEZA

       Ganhar dinheiro é bom e necessário. Mas estudar é ótimo. Porque adquirir conhecimentos fortalece a sabedoria de quem tem e o bem viver. 
            Viver bem é a maior riqueza.    

sábado, 18 de março de 2017

QUESTÃO CULTURAL

         Tomando posse em janeiro, o prefeito de Florianópolis não perdeu tempo em agilizar o projeto Semana Municipal do Livro Infantil 2017, reunindo em toda a rede de ensino escritores e contadores de histórias objetivando chamar a atenção dos estudantes para a importância do livro em suas vidas. 
           O evento, que provavelmente se repetirá por uma questão cultural, será realizado de 12 a 18 de abril em uma linha de agendamentos pelas escolas da cidade.

domingo, 22 de janeiro de 2017

A VACA E O BURRO...

             O burro e a vaca encontraram-se num vago passeio pelo pasto. Foi então que teve início um diálogo cotidiano. Começaram a debater suas naturezas. A vaca, contando sua experiência de tanta maturidade no campo, no dia a dia de sua vida, lamentava: - Eu já não tenho sossego ! Todos os dias encho vários baldes de leite, que são levados para a indústria e transformados em "água branca". Assim começa a conversa. 
             O burro - interrompendo a vaca - fala: - Eu ainda não me acostumei com o título que me deram ! Pois, sou da família do asno e, no entanto, insistem em me chamar de burro ! O nome que recebo, as vezes me confunde por causa de interpretação inteligente que tiram da minha conduta. Qualquer idiotice que se faça, a pessoa errada é chamada de burro. Eu nunca disse nada , mas isso me fere. Enfim, o que posso fazer senão encarar os fatos de minha natureza desumana ?!
             A vaca: - Eu nasci predestinada a sofrer ! Nos meus primeiros dias de vida tive a sensação de ser livre... o pasto campestre esverdeado respirava um ar saudável, cheio de oxigênio... e eu comia a vontade. Hoje, estou aqui, tentando cheirar a relva que não tem o mesmo sabor. Mas, mesmo assim, vejo muito campo para reproduzir... para dar de mim as proteínas de minha carne. Depois do leite que produzo, super-desnatado, exageradamente purificado, a tal ponto que não tem o mel do meu sangue, quando passado pela industrialização (uma palavra que não sei o significado. Você sabe, burro?) Sinto a tristeza de  me tornar excesso da exploração. Agora minha carne não dá pra nada . Quem dela come, não se satisfaz... 
              O burro: - É, minha vaca, isto é fruto da inteligência! Quem sabe um dia, a burrice toma conta do mercado, de forma definitiva. E assim, só assim, eu possa comer da sua carne sem o amargor da inteligência, que absorve a vida do nosso pequeno e conturbado mundo... 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

                    Desejo a todos os amigos um Natal muito Feliz e um Ano Novo glorioso, pleno de realizações!!!